Dá licença, madrinha postando

Eu sempre me incomodei com a facilidade que as pessoas entram e saem de nossas vidas. Um dia elas estão ali do seu lado, dançando Spice Girls (a pessoa já denuncia a idade na segunda linha do texto), e no outro você já nem sabe mais o que ela gosta de ouvir.

Muitas vezes nem sabemos quando e como exatamente nos afastamos. Resta apenas uma foto que aparece no seu feed e te lembra que um dia você já conviveu muito com aquela pessoa, e quando você tenta encontrar na sua cabeça o que você ainda sabe dela, encontra um vazio.

Quantas amizades da infância realmente trazemos conosco? Não falo dos amiguinhos que brincavam de pega-pega, queimada e verdade ou desafio. Estou falando daquelas amizades intensas, de noitadas, segredos, piadas internas trocadas por um olhar, lágrimas consoladas, e sonhos compartilhados.

Era assim com ela. Sabíamos o sabor favorito do chiclete de cada uma (e ela sempre tentava me enganar com aquela coisa azeda que ela comia todo dia). Ainda lembro dela segurando minha mão durante o filme de terror que ela me obrigou a ver. Das viagens, das brincadeiras no carro durante horas em uma estrada que só tinha bananas. Das noites no quarto inventando histórias, dela matando uma barata sonâmbula, eu viajando de trem com um vestido no cabide pra ir no aniversário dela.

E aí, veio a distância. O silêncio, raras mensagens, as novidades acompanhadas por fotos no face, e uma enorme saudade. Mas mesmo assim, ela nunca chegou a ser um vazio. Nos vemos uma vez por ano quando ela vem visitar a família. O encontro é praticamente sagrado. Mas quando estamos juntas de novo, é como se nunca tivéssemos chegado a estar longe.

Em um desses encontros anuais, enquanto ela sai de perto por 5 minutos na balada, vem a notícia do pedido. Como eu fiquei feliz por ela! Cultivei a ansiedade da reação dela por dias, de poder falar com ela sobre isso, de poder compartilhar esse momento tão especial. Como queria ter visto de pertinho tudo aquilo!!

Quando enfim chegou o dia foi um alívio! E desde então, todo vez que falamos do casamento, parece que parte do coração dela tá batendo mais rápido aqui comigo. É se realizar pela felicidade do outro.

E ai, a confirmação do tamanho do amor que você e ela ainda sentem, vem com um convite que chegou ontem... madrinha!

Ela não poderia ter achado palavra melhor, nossas vidas ainda estão ligadas. Apesar da distância, de tudo que passamos uma sem a outra saber, das notícias não serem mais transmissão ao vivo e maior parte das conversas serem pura nostalgia. Apesar disso tudo sempre soubemos que a outra estava ali. Sempre sentimos o apoio sem precisar ouvir uma sequer palavra.

Quando você ganha o título de madrinha já vem aquela euforia. Você quer fazer tudo pra que esse momento dela seja perfeito. Você acha que é especial ser uma das pessoas que vão estar ao lado dela nessa nova etapa pra garantir que a felicidade dela seja plena. A festa, a casa, a roupa, o presente, a lua de mel. Mas na verdade, é ela que está te dando o presente de estar ali do ladinho dela, vivendo isso tudo. Obrigada amiga, pela amizade de tantos anos, por dividir sempre sua felicidade comigo. <3

Por Natacha Nogueira Britschka